Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária

A rede de Arte Postal na América Latina

Patrícia Mourad 02/09/2015 12:06:45


Por: Patrícia Mourad


Segurança no campus: um breve levantamento sobre as políticas de segurança

Patrícia Mourad 31/07/2015 14:43:07


Como implantar um modelo de segurança no ambiente universitário que seja capaz de dar segurança à comunidade universitária e que, ao mesmo tempo, leve em consideração a especificidade de um ambiente acadêmico?

Com o intuito de contribuir para aprofundar estas reflexões, o artigo “Segurança no campus: um breve levantamento sobre as políticas de segurança na USP e em universidades estrangeiras”, elaborado em 2011 (publicado em 2013), apresenta experiências em relação à segurança em cinco instituições estrangeiras de referência internacional (University of Toronto - Canadá, University of Chicago – EUA, University of Warwick – Inglaterra e Universidad Nacional de Colombia) e propõe uma comparação com a experiência da USP.

Além da consulta à literatura relacionada ao tema da segurança em campi universitários, a pesquisa envolveu um levantamento de dados por meio dos websites das universidades, obedecendo um roteiro que considerou: tipo de universidade (pública ou privada); tipo de entorno; quadro responsável pela segurança e suas atribuições; programa de segurança; tecnologias usadas para segurança; orientações dadas aos membros da comunidade sobre como agir nas ocorrências; formas de controle da qualidade do serviço de segurança; e produção de relatórios sobre as atividades desenvolvidas; além de entrevistas (no caso da USP).

O levantamento apresentado permitiu identificar semelhanças e diferenças referentes à segurança na USP e nos demais campi universitários. Os ambientes acadêmicos mostraram-se semelhantes nos seguintes aspectos: processo de atribuição de maior responsabilidade aos profissionais encarregados da segurança ao longo do tempo; aproximação entre esses profissionais e as forças policiais; prestação de serviços que vão além dos atendimentos emergenciais pelos encarregados da segurança; predominância de casos menos violentos nas ocorrências; e resistência ou desconfiança por parte da comunidade universitária sobre a presença da polícia no campus. Quanto às diferenças, destacam-se a produção de estudos sobre as ocorrências e vitimização, o desenvolvimento de programas de prevenção e o incentivo ao registro de queixas contra os profissionais da segurança, características muito mais comuns e acessíveis nas universidades estrangeiras.

Os resultados apontam que, apesar das especificidades legais, institucionais e de contexto, os problemas de segurança nos campi são muito semelhantes e têm sido alvo de preocupação para a administrações e comunidades universitárias. Guardadas as diferenças, as experiências apresentadas no artigo podem contribuir para a reflexão sobre programas de segurança que combinem a prevenção de crimes, preservação do patrimônio público e a garantia das liberdades civis.

 Artigo completo: http://revista.forumseguranca.org.br/index.php/rbsp/article/viewFile/274/140

Por: Ariadne Natal - Pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência


Everesting

Patrícia Mourad 20/07/2015 16:42:43


Everesting. A primeira vez em que ouvi esse termo, alguns meses atrás, fiquei seduzido imediatamente pelo desafio. A ideia é simples. Subir uma única ladeira ou montanha o número de vezes que for necessário para alcançar a elevação vertical do Everest (8.848 metros). Sem dormir, de uma única vez. Além do desafio físico de pedalar por horas a fio, com curtas interrupções para alimentação, alongamentos e idas ao banheiro, o autocontrole seria fundamental. A fadiga mental associada à repetição de passar inúmeras vezes pelo mesmo cenário seria brutal.

Após alimentar minha curiosidade e ficar cada vez mais instigado pelo desafio, veio uma razão adicional para junho fosse o mês de eleição para minha tentativa. Mobilizados pelo terremoto que havia assolado o Nepal, um dos países que fazem fronteira precisamente no cume do Everest, o grupo de ciclistas idealizadores do desafio (chamados de Hells500 - http://www.everesting.cc/) decidiu dedicar os desafios concluídos com sucesso no mês de junho à arrecadação de fundos para auxiliar na reconstrução e suporte a desabrigados da região. Algumas ações diferentes foram tomadas, incluindo o recebimento de doações que foram leiloadas e a realização do maior número de Everestings possível nesse mês que passou. Ambas culminaram, direta e indiretamente, com fundos doados integralmente aos nepaleses.

Imbuído da decisão de realizar o meu Everesting nesse mês passei ao próximo passo crucial: decidir onde seria minha tentativa. Minha primeira tentativa, em um morro próximo à divisa de São Paulo e Minas Gerais foi interrompida por uma abordagem suspeita e tentativa de assalto. A frustração de ter digirido 250 km para tentar fazer algo com relevância pessoal e social foi devastadora. No entanto, continuava decidido a tentar novamente em um ambiente menos inseguro. Lembrando da quantidade de vezes que pedalei dentro da USP em uma das ladeiras tradicionalmente utilizadas aqui para treino em subidas (Rua do Matão, entre a FAU e o IB) imaginei que pudesse ser um trecho ideal para minha tentativa. Apesar de ser uma ladeira relativamente curta - o que me forçaria a subi-la muitas e muitas vezes para alcançar a altimetria acumulada do Everest - ela corta um local muito agradável e belo do campus da USP na capital. Trecho sinuoso e arborizado, fresco durante o dia mesmo com sol forte e, atualmente, muito bem iluminado durante a noite.

Decidido a tentar este desafio na Rua do Matão, entrei em contato com a Guarda Universitária por intermédio do meu colega de unidade Professor Doutor José Antônio Visintin, atual superintendente de Proteção e Prevenção Universitária. Fui contatado rapidamente pelo Alexandre da Silva Pereira que se prontificou a me ajudar no que fosse necessário para que eu tivesse tranquilidade para me dedicar totalmente e com o foco necessário ao meu desafio. Confesso que fui pego desprevenido pelo grau de dedicação proposto naquele momento! Não poderia imaginar que minha tentativa tão pessoal a individual mobilizasse tal dedicação de inúmeras pessoas por quase 24 horas no campus. Alexandre me deu seu número de telefone e combinamos que eu ligaria quando estivesse vindo ao campus para iniciar minha jornada.

Vale ressaltar aqui que, pela natureza do desafio, a estimativa de duração seria de algo entre 15 e 20 horas dentro da USP. Por várias razões o único período disponível para isso seria o fim de semana. Cheguei ao campus ao redor de 11 horas da noite de sábado, 27 de junho do ano corrente. Fui recebido por um funcionário designado pelo Alexandre que me acompanhou à FAU e recomendou um bom local para que eu estacionasse. Precisaria de acesso ao carro para me alimentar, encher a garrafa de líquido, eventualmente trocar de roupas e fazer alongamentos. Após estacionar, me preparar, constatar que de tão iluminada a Rua do Matão (e devo dizer bela numa noite estrelada e de lua crescente) eu não precisaria de farol, comecei a pedalar.

Logo no início constatei como minha decisão de realizar minha tentativa dentro do campus havia sido a melhor possível. Sentiria-me totalmente seguro durante toda a madrugada e pelo dia seguinte afora acompanhado todo o tempo pela guarda universitária. Uma viatura viria a ficar praticamente todo o tempo estacionado na FAU, próxima de onde meu carro estava parado. Durante minhas pausas na madruga de sábado para domingo me sentia cuidado pela funcionária da guarita do bolsão de estacionamento da FAU (a quem ofereci café, mas para seu azar, era amargo) e pelo guarda dentro da viatura que me observava incansavelmente enquanto em subia e descia incessantemente. Além disso, frequentemente era acompanhado por veículos durante minhas subidas, cujos ocupantes sempre cordiais me perguntavam se precisava de algo e como estava indo. Tal suporte e tranquilidade foram não tenho dúvida cruciais para que eu conseguisse me manter concentrado e relaxado, sem preocupação qualquer com minha segurança - em especial depois da minha primeira tentativa frustrada fora da cidade.

Após uma calma e agradável madrugada pedalando sozinho, durante a qual havia completado um terço do que precisaria cumprir na minha jornada, comecei a receber agradáveis visitas de amigos (antigos e novos) que se dispusera a pedalar comigo parte do trajeto. Logo de manhã tive a companhia de um dos responsáveis por todo meu empenho e dedicação ao ciclismo de estrada, o pós-graduando Alexandre Ferro Otsuka, ligado ao programa de História Social da FFLCH. Alê rodou comigo em várias subidas e contribuiu com boas imagens da manhã. Ainda de manhã recebi a visita de alguém até então desconhecido, o ciclista Tiago Vidal de Souza, que, sabendo do meu desafio, veio me apoiar, trazendo café quente e um suflê de legumes e ovos que se transformou em um ótimo almoço. No decorrer do dia fui ainda acompanhado por um amigo egresso da FMVZ, Alexandre Corazza Curti, que subiu a rua do Matão algumas vezes comigo e também registrou em fotos meu esforço, e depois por um pós-graduando do meu departamento, Thiago Marinho Reis, que começou a pedalar recentemente impulsionado pela onda de bicicletas como transporte em São Paulo e usa diariamente a bicicleta como meio de transporte para o campus. Cada qual da sua forma, todos me ajudaram muito com sua companhia, bom humor e incentivo. Todos ficaram absolutamente bem impressionados com o suporte que a guarda universitária estava prestando durante o tempo que passei aqui.

Atrasado em minha estimativa após perder várias horas resolvendo problemas técnicos Everestingcom o dispositivo que usava para gravar minha tentativa de Everesting (um gps para ciclismo) conclui que iria avançar na noite de domingo. Novamente com a companhia do Tiago (que havia ido para casa e dormido, portanto voltado com total disposição) continuei minha jornada até que um número esperado de ganho vertical aparecesse no visor do aparelho: 8.848 metros. Nas subidas que antecederam tal momento já tinha a companhia de uma viatura da guarda, que torcia junto e antecipava minha comemoração. Quando o número esperado estava próximo de ser alcançado passei a subir vagarosamente a ladeira e parei em certo momento para registrar em uma fotografia o visor mostrando que tinha conseguido a minha meta. Após comemorar por alguns minutos com o guarda que me acompanhava e com Tiago, informei a ele que em minha opinião o desafio não estava concluído!

Explico. Como havia tido problemas com a medição do ganho de elevação no meu gps, não queria correr qualquer risco de invalidar minha tentativa por algum erro de poucos metros para menos. Assim, decidi subir mais 10 vezes a Rua do Matão (até aquele momento havia subido perto de 170 vezes!) e acumular 500 metros a mais do que precisava, para me sentir seguro. Mesmo já passando das 8 horas da noite do domingo, todos me apoiaram e disseram que ficaria lá o quanto eu quisesse e precisasse. Voltamos então a subir a rua para concluir minha nova meta: 9.300 metros de elevação acumulada em uma única tentativa.

Durante todo o tempo que subi me mantive constante e confortável em termos físicos. Ao analisar de forma retrospectiva minha velocidade média de subida e frequência cardíaca durante o período constatei de fato que estava realizando um nível de esforço próximo ao ótimo para aquela atividade. A única exceção da noite foi a última subida. Quando me dei conta que seria a última vez em que subiria a Rua do Matão naquela já noite de domingo, tive um prazer enorme em fazê-la com mais força e velocidade que havia dedicado em todas as horas anteriores. Duas viaturas, já sabendo que seria minha última subida, me esperavam no topo do morro e torciam como se fosse uma competição real de alguém que eles apreciavam e respeitavam muito. Senti-me de fato recebendo não apenas a segurança e cuidado impecáveis mas um carinho e apoio de todos os funcionários que por lá passaram e me acompanharam pelas 22 horas que passei dentro do campus nesse fim de semana memorável.

Conclui com uma sensação quase indescritível de realização pessoal, somada ao prazer de saber que pude ajudar na arrecadação de fundos destinados a uma causa humanitária nobres, e de ter feito parte de uma equipe virtual que não esperaria ter. Os amigos que me acompanharam e os funcionários da guarda que, soube depois, passavam a informação a seus colegas de forma a eu ter sido reconhecido e auxiliado por todos que passaram pelo loca durante todo o período, tornaram minha experiência mais confortável, segura e absolutamente mais fácil do que eu teria antecipado ser.

Depois de todo o esforço pude me encher de orgulho de ter concluído meu Everesting e, especialmente, por isso ter acontecido dentro da nossa Universidade. Como poderão notar nesse endereço - http://www.everesting.cc/hall-of-fame/, o "Hall da Fama" de tal desafio, antes da semana passada, o único ponto marcando um local em toda a América Latina existia no Rio de Janeiro, exibindo o primeiro brasileiro (e latinoamericano) a realizar um desafio desses (o ciclista Kleto Zan, que o realizou na Floresta da Tijuca). Tenho enorme prazer em olhar hoje para o mesmo mapa e notar outro ponto vermelho. Em maior aproximação pode-se notar que ele se refere ao nosso campus da USP, evidenciando da Rua do Matão como o segundo lugar na América Latina a ser vencido em tal desafio.

Passei 22 horas no campus, dentre as quais pedalei por mais de 15. Ganhei elevação vertical acumulada de 9.339 metros, quase 500 a mais que o cume do Everest. Transitei por uma distância de 292 km em uma única via, suficiente para ter ido a outros campi da USP. Não dormi e nem tive uma refeição quente por mais de 24 horas. O que pode parecer um sofrimento para uns resume um dos momentos de maior realização física e individual que tive. Certamente a minha escolha de tentar realiza-la dentro da USP foi a melhor possível. Sem sombra de dúvida a colaboração da Guarda Universitária, por intermédio da superintendência de Prevenção e Proteção Universitária foram críticos para meu sucesso. Não esquecerei toda a ajuda recebida.

 

Por: Prof. Frederico Costa Pinto

Créditos: Alexandre Otsuka